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A hora certa de chamar a equipe para o parto

Jordana Carneiro -1029
Por: Tanila Glaeser

Taí uma coisa simples e que faz toda a diferença quando vivida corretamente.

Tenho uma amiga d’infância que fala “parto a gente só entende de trás pra frente”, e é bem isso mesmo. O que eu vejo sempre nesse estudo pessoal do que eu vivo é que quanto mais cedo “arma-se o circo” – uma metáfora para quando chega a equipe num parto domiciliar, e/ou se instala o climão de parto – mais complicações emocionais, e físicas.

Vivemos uma dança hormonal constante, e quem comanda o ritmo são as emoções.

Quando o trabalho de parto está quase começando (pródromos ou mesmo na latência), o DJ toca ansiedade, e quem dança é a adrenalina, ambos incompatíveis com o cenário clássico de parto ativo.

Fases de trabalho de parto, identificação das mudanças premonitórias para o parto, é papo que deve rolar pré-natal a fora. Salvo exceções (sangramento intenso, saída de líquido amniótico com coloração alterada, ruptura prematura da bolsa das águas, ausência dos movimentos fetais), a ida para o hospital ou a chegada da equipe no parto domiciliar deve acontecer na fase ativa de trabalho de parto. Antes disso só aumenta o cortejo dos hormônios “anti -parto”.

E não só isso, realmente não é apenas uma observação pessoal, existem estudos que comprovam os benefícios do internamento tardio x internamento precoce*. Além do que precisamos lembrar que a equipe cansa, não só o cansaço físico, mas aquele da intensidade que se vive numa assistência ao parto, que por vezes, embota as emoções e pode refletir na técnica.

Descansar sempre! – “um bom descanso é metade do trabalho”(provérbio iugoslavo)

Por vezes, pode acontecer de acharem estar na tão esperada fase ativa de trabalho de parto e ao chegar no hospital o profissional perceber que não é o momento e sugerir que volte pra casa. Ou mesmo ter uma equipe em sua casa que vai embora pra depois voltar.

Dentro dessa natureza perfeita tudo tem sua função e enquanto não existe fase ativa de trabalho de parto ou às demandas que citei como exceções, o momento é de introspecção, de reflexão e se sentir, se curtir, e assim começar uma base sólida para essa maternidade ativa que virá bater na porta.

Queria deixar umas dicas, dentro do que percebo de identificação de trabalho de parto nos grupos que eu frequento:

• Perda do tampão mucoso: apenas significa que o parto está mais perto de acontecer do que longe! Não corra pro hospital, não acorde a equipe no meio da madrugada, não coloque as malas no carro! No máximo fotografe e mande pra parteira via Whatsapp (tenho inúmeras fotos dos mais variados tampões em meu celular!!)

• Bolsa rompeu: se líquido claro, bebê mexendo e você estiver bem, não namore com penetração, não tome banho de mar ou piscina, avise a equipe (que terão condutas variadas) ou, se não tiver equipe particular, se prepare para ir ao hospital calmamente em algumas horas. Perceberam que não falei “corram”?? A bolsa das águas não abre o ralo que vai empurrar o bebê pra fora com a “força “da descida do líquido”, o bebê não vai ficar seco e nascer embalado a vácuo. Calma!

• Contrações: aqui é quase um capítulo à parte, afinal dor é particular de cada um, né? Mas dor? Quem falou em dor? Eu escrevi contrações, ora bolas! rsrs Pois bem, se existe contração e não existe dor, não é trabalho de parto. Tenho hoje uma amiga, que quando éramos apenas parteira e parturiente e eu falava “pra parir tem que doer”, se retava comigo. Até que entendeu o sentido da coisa! E é bem isso, as contrações que incomodam um pouco, geram alguns poucos segundos de desconforto, mas que não veem associadas à dor, são “apenas” contrações. Se puder avisa a equipe pra deixar as barbas de molho e nada mais! Relaxe e goze (nos vários sentidos das palavras mesmo!), que já já ela muda e o TP começa em algum momento.

• Doula: todos que me conhecem sabem o quanto sou fascinada por elas, as doulas! Um parto sem doula é aumentar a chance dessa problemática do internamento precoce. Mas deixando claro que: doula não ausculta bebê, não faz toque vaginal e não deve assegurar nenhuma questão técnica obstétrica. A presença dessas pessoas incríveis vai ajudar a lhe dar segurança emocional de ver as coisas com mais clareza dentro do que vocês acordaram durante o pré-natal juntas.

É isso pessoal, estamos construindo uma maternidade quando nos propomos a viver um parto. E a intenção não é correr pro pediatra a cada choro estridente do bebê, não é isso? Então a primeira oposta é que comecemos a nos conhecer e acreditar em nossa capacidade. Bem-vindas à beleza que essa maratona de parir nos apresenta!!

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Coaracy

1 comentário

  • Importante esse olhar sobre o tempo. Nessa vida de leitora de relatos de parto, tenho visto muitas mulheres que ainda na latência se desesperavam e corriam pro hospital/maternidade/casa de parto pra depois ter que voltar pra casa e lidar com a tensão, a ansiedade, a matemática das contrações e dilatação. Nos domiciliares, nem se fala! Há muitos relatos de “TP” que duram 3, 4 dias… E até mais… Principalmente com primigestas.

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