Relatos

Thaís – Nascimento de Maia

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Filha, o seu nascimento foi lindo, surpreendente e rápido! Eu passei a gravidez toda dizendo que o nosso parto seria rápido, e que qualquer hora a menos que o parto de Tito já seria bom! Escrevi um Plano de Parto enorme e até dei risada quando li depois do dia que você nasceu, não deu tempo de pensar em nada!

Você já chegou nos surpreendendo com o seu jeitinho apressado! A sua DPP era dia 21/09, o dia do meu aniversário e um dia depois do aniversário de seu irmão. Olha que delícia! Tínhamos a chance de dividirmos o mesmo dia! Mas não foi assim que você quis, tudo bem!

No início de agosto fomos buscar seu irmão na escola e algumas pessoas me perguntaram se você nasceria dia 09/09, pois ele tinha espalhado para todo mundo que “Maia vai nascer dia nove de setembro”. Dei muita risada e disse que não, pois esperaríamos a sua hora e provavelmente seria mais para o final de setembro. Comentei isso com Tarsila, a nossa doula, e ela ficou nitidamente encucada! Olhamos no calendário e vimos que essa data seria justamente o início do ciclo de uma lua cheia. Eu continuei sem dar importância.

Na madrugada do dia 09/09/14 eu acordei sentindo uma contração diferente das que vinha sentindo nos últimos dias. Achei estranho, levantei para ir ao banheiro e voltei a dormir. Algum tempo depois, outra contração. E outra, e mais outra e uma dor de barriga. Eu levantei para ir ao banheiro e tomar banho e seu pai acordou querendo saber o que estava acontecendo. As contrações foram ficando mais espaçadas e sumiram. Voltei a deitar e consegui dormir mais um pouco. As contrações voltaram novamente, mais um banho! Mas, com a água quente elas espaçaram novamente, voltei a deitar e tentei dormir mais um pouco. Umas 5h da manhã acordei de novo com as contrações e fui tomar o terceiro banho. Seu pai acordou, foi me ver e levou a bola de pilates para mim. Fiquei um tempão no chuveiro, procurava me concentrar na respiração e fazia alguns exercícios na bola. As contrações sumiram novamente e sugeri que seu pai fosse para o trabalho. Eu disse que caso o trabalho de parto engrenasse, pediria a ele para ir comprar as coisas da lista, pois ainda não tínhamos providenciado nada.

Ainda cedo me dei conta que era dia 09/09, o dia que Tito tinha dito que você nasceria! Umas 7h mandei uma mensagem para Tarsila contando como tinha sido a minha noite de contrações, disse que ainda não estava acreditando muito que engrenaria, e a primeira coisa que ela escreveu foi “Tito…”. Ela sugeriu que eu colocasse compressa morna na barriga e tentasse dormir mais um pouco. Fiz as compressas tão quentes que formou uma mancha vermelha no pé da minha barriga.

Na noite anterior tinha combinado de ir ao shopping e ao salão com a sua tia Milena. Ela me ligou umas 8h e pouco pedindo para eu descer e eu disse: sobe aí, acho que estou em trabalho de parto! Ela subiu com Ceci, sua priminha. Ficamos conversando, Ceci fez muito carinho na minha barriga, a coisa mais linda do mundo! Milena começou a cronometrar as contrações, fazer massagens e colocar em prática os aprendizados do curso de doula que ela tinha feito no último final de semana. Fomos cobaia dela, doula aprovada! As contrações estavam com intervalos bem irregulares, mas tinham uma duração longa, que variavam de 40 segundos até 2 minutos. Ligamos para o seu pai e pedimos para ele ir providenciar as compras. Milena entrou em contato com Tarsila e ela sugeriu que eu deitasse para vermos como ficariam as contrações. Deitada, os intervalos, que antes variavam de 5 a 10 minutos, passaram para 15, 17 minutos. Pedimos para Tarsila avisar a equipe e passar aqui para ver como estávamos indo. Quando ela chegou as contrações sumiram por um tempo e depois foram voltando aos poucos. Ficamos batendo papo e depois ela foi embora dizendo que poderia voltar quando quiséssemos. E a nossa manhã passou assim: contrações com intervalo médio de 10 minutos, longas, mas totalmente suportáveis.

Perto de meio dia seu pai chegou com as compras, e ele veio preparado para uma guerra! Comprou tanta comidinha, sorvete, uma dúzia de cocos. Pelo visto ele estava esperando um trabalho de parto igual ou mais longo que o primeiro!

O tempo todo eu lembrava do trabalho de parto de seu irmão e mentalmente fazia comparações dos horários, pois o início dos dois foi bem semelhante. Isso me deixou um pouco preocupada, achava que o ritmo estava muito lento e, pelos meus cálculos, você só nasceria no dia seguinte. No parto de Tito, na hora do almoço, eu já não estava mais conseguindo raciocinar, estava na partolândia há muito tempo. No seu parto eu sentei na mesa e almocei. Durante as contrações eu parava, respirava e depois voltava a comer. Sua tia Juliana, que veio almoçar conosco, olhava curiosa. Acho que ela pensou que parir é moleza! Tomara que entre para o nosso time!

A tarde foi chegando e as contrações foram ficando mais intensas, mas ainda com intervalos de mais ou menos 10 minutos. Milena continuou fazendo as massagens, seu pai também tentou, mas ele fazia com tanta força que doía mais que a própria contração! Depois ele me disse que fez assim pois no parto de Tito ele fazia e eu dizia: mais forte! Sua avó Ita também estava aqui, e quando vinham as contrações eu apertava muito ela! Não me lembro a hora exata, mas Tarsila deve ter chegado umas 15h e pouco e Milena foi em casa, mas voltaria mais tarde. Tarsila continuou com as massagens e fez um escalda-pés. Umas 16h sua avó saiu para resolver umas coisas e buscar Tito na escola.

Por volta de 16:30h chegou Suzana, a enfermeira da equipe. Ela pediu para seu pai descer e pegar o material no carro, sentou no chão ao lado do colchão que eu estava deitada, começou a cronometrar as contrações e fazer algumas anotações. Eu lembro de ter perguntado se estava mesmo em trabalho de parto, pois as coisas ainda estavam bem calmas. Ela riu e disse que com certeza era TP! Umas 17h chegou Carol, a fotógrafa. A partir desse momento, pelos horários das fotos, sabemos exatamente a hora que tudo aconteceu.

Depois de um tempinho ela auscultou os seus batimentos cardíacos e viu que estava tudo bem. Nos intervalos das contrações eu tremia demais, oscilava entre muito calor e muito frio. Tremia, me enrolava no cobertor, ficava morrendo de calor, suava, jogava o cobertor para lá, sentia frio de novo! Era uma sensação bem esquisita. Como as minhas contrações ainda estavam bem espaçadas, preferi ficar deitada. Tinha medo de demorar muito e eu ficar muito cansada, como no parto de Tito.

Outra coisa que fiz diferente foi aceitar comer. Seu pai toda hora me oferecia água de coco e sorvete e eu aceitava tudo. As contrações foram ficando bem intensas, Tarsila fazia as massagens, eu apertava muito o braço de Suzana e enquanto isso seu pai inflava a piscina.

Eu já estava reclamando muito das contrações e Tarsila sugeriu que eu fosse para o chuveiro. 17:19h eu sentei embaixo do chuveiro e me apoiei na bola de pilates. Nessa hora as contrações ficaram punks e o intervalo, que até então estava de 10 minutos, diminuiu bastante. Eu comecei a pirar, pedi para ir para o hospital, disse que queria uma anestesia. E mais uma vez fiquei comparando com o parto de Tito e pensei: se ainda está cedo e eu já estou assim, não vou aguentar esperar muito! Pirei mesmo! Eu apertava tanto Tarsila, torcia a calça dela, não deixava ela respirar um segundo, queria as massagens o tempo inteiro!

Suzana pediu para fazer um toque e eu neguei! Disse que de jeito nenhum, pois tinha medo de estar com pouca dilatação, não aceitei mesmo. Então, Tarsila sugeriu que eu mesma fizesse o toque. Eu fiz, e com espanto falei que tinha sentido uma coisa dura. Ela disse: é a cabeça de Maia! Claro que eu não acreditei! Comecei a sentir vontade de fazer força, e junto com a força eu gritava muito, vinha da alma. Nessa hora comecei a achar que poderia ser piração minha, que eu estaria me forçando a sentir essa vontade de fazer força! Olha que maluquice! Eu pensava: eu não posso estar no expulsivo, ainda nem passei pela fase ativa! E, para tirar a dúvida, 17:46h fiz outro toque e percebi que a “coisa dura” estava um pouco mais embaixo. Suzana disse: vamos para a piscina agora!

Levantei na mesma hora e entrei na piscina. Já fui entrando e instintivamente ajoelhei e fiquei de quatro. Fiquei muito pirada quando percebi que não tinha dado tempo de encher a piscina! Só tinha um palmo de água! Nessa hora eu senti você descendo e dei um grito: vai nasceeeeeeerrrr!!!!!!

Tarsila e seu pai correram para tentar tirar a minha calcinha. Eu sentia todos os seu movimentos da descida, senti queimando tudo! Seu pai estava preparado para te receber, e depois de uma contração senti uma força louca e às 17:53h saiu a sua cabecinha. Nesse momento a bolsa estourou nas mãos do seu pai. Suzana me orientou a não fazer mais força, esperamos menos de um minuto e você escorregou, quentinha e linda para as mãos do seu papai. A minha única reação na hora foi falar: ai, que delícia!!! E filha, pode acreditar que foi uma delícia mesmo! Seu pai me entregou você e eu te abracei com todo o meu amor!

Você nasceu linda, coberta de vérnix e com um cheirinho delicioso! Como eu te amo, minha moreninha! Eu ainda não estava acreditando no que tinha acontecido, era uma mistura de felicidade, surpresa, loucura! Nessa hora me dei conta que não tinha dado tempo de Dra. Sônia chegar! Filha, você não esperou a nossa obstetra!!! Três minutos depois que você nasceu sua avó Ita chegou com Tito.

Ele entrou dormindo no colo dela, mas logo acordou com o movimento. Ficou desconfiado, encostou na piscina e te olhou com o olhar mais lindo e mais amoroso que um irmão pode ter. Ele ficou desconfiado da cor da água e seu pai logo disse: é uma piscina de morango, pode entrar filho! Ele tirou a roupa e se juntou a nós! Era muito amor envolvido, a nossa família estava completa: eu, seu papai, seu irmão e você!

Ficamos mais um tempo na piscina curtindo o nosso momento, o nosso amor. Te coloquei no meu peito, mas você não quis mamar, ficou só me lambendo. 18:10h percebemos que o cordão já tinha parado de pulsar e, juntos, os nossos meninos o cortaram.

Saímos da piscina e ficamos deitadas no colchão, esperando a placenta sair. Fiquei um tempão com você no meu colo, te cheirando, te admirando. Você é tão linda, filha! Tem os olhos mais lindos e expressivos, eu só conseguia enxergar amor dentro deles.

Umas 20h seu pai e Suzana resolveram te pesar e te medir: 2,670kg e 49cm, a nossa miúda! Eles te arrumaram toda linda e você voltou para o colo da mamãe. Ainda esperávamos a placenta sair, mas eu já não sentia mais contrações. Suzana disse que teríamos que fazer algo, já estávamos há mais de duas horas esperando e nada acontecia. Ela deu um leve toque no cordão, na mesma hora veio uma cólica, fiz uma forcinha e a placenta escorregou. Depois Suzana suturou a laceração que tive, foi a parte chata da história.

Logo depois já chegaram sua avó Lícia, suas tias Juliana e Milena, seu tio Fábio, sua priminha Ceci e um pouco mais tarde seu avô Zuca. Todo mundo te achou a coisinha mais linda do mundo! Mais tarde também chegou Dra. Sônia, ela ficou muito triste de não ter dado tempo de acompanhar o seu nascimento. Nós também sentimos muito, pois ela é uma querida e já faz parte dos nascimentos da nossa família. Todos ficaram batendo papo, uns tomando cerveja, outros um cafézinho, e eu grudadinha em você, te dando o meu peito, te amando e te admirando.

Foi assim que você nasceu, minha pequena! Fiquei meio atordoada, foi tão rápido que precisei de alguns dias para processar tudo. Fiquei me perguntando o que tinha acontecido para ser dessa forma, e simplesmente cheguei a conclusão que esse era o parto que nós precisávamos, foi o nosso parto. Eu renasci no parto de Tito e renasci mais uma vez no seu parto. Aprendi que as coisas não precisam ser como idealizamos para serem perfeitas. O seu parto não foi como idealizei, mas foi lindo, tranquilo e perfeito. Assim como no parto de Tito, eu queria muito que você nascesse na água e, mais uma vez, não rolou! Você nasceu na piscina, mas quase não tinha água. Eu queria muito sentir a bolsa estourando, mas se você nascesse empelicada eu ia amar! Mas a bolsa estourou quando saiu a sua cabecinha, e no meio de tantas sensações e tantas emoções, eu não senti o “ploc”. Não foi como eu quis, mas ela estourou nas mãos de seu papai, que esperava ansioso para te receber, e foi lindo!

Me sinto privilegiada de ter conseguido trazer os meus dois filhos ao mundo de uma forma linda, respeitosa e natural. Foram duas experiências completamente diferentes, mas igualmente intensas e transformadoras. Contamos com a ajuda de uma equipe maravilhosa, agradeço imensamente a cada uma delas: Tarsila, Suzana, Carol e Dra. Sônia. Agradeço a presença de sua avó Ita, que sempre foi e sempre será essencial nas nossas vidas. Sua tia Milena, como boa companheira que sempre foi, mostrou também a ótima doula que é. Seu papai, apesar de ter ficado muito tempo cuidando da logística, sempre esteve muito presente, atento, carinhoso, cuidadoso e fez questão de ser o primeiro a te pegar. Obrigada Coisa, te amo! Não posso deixar de falar de Tito que, mesmo chegando um pouco “atrasado”, fez a sua parte! Ele te encheu de amor e carinho, contou os seus dedinhos da mão e mostrou para a gente que amor não se divide, se multiplica!!! E claro, tenho que agradecer a você, minha pequena! Todos os dias eu olho para você e te agradeço! Agradeço por você ter sido uma danadinha, já nasceu me mostrando que tem personalidade! Agradeço por você ser tão tranquila e tão linda, por ter os olhos mais expressivos e cheios de amor.

Quando seu irmão nasceu eu escrevi isso para ele: “Nunca imaginei que caberia tanto amor dentro de mim. Um amor diferente, puro, tão forte que dá nó na garganta. Um amor indescritível, que tantas pessoas tentaram me descrever e que eu, da mesma forma, tento descrever sabendo que estas palavras não serão suficientes. Prometo, filho, que vou passar a nossa vida inteira tentando fazer você entender o tamanho desse amor.” Filha, acredite que você trouxe mais amor ainda para as nossas vidas! Não temos como medir nem como explicar, apenas sentimos. E seguimos com a promessa de tentarmos fazer vocês entenderem o tamanho desse amor. Te amo, minha moreninha.

Originalmente publicado em: http://titoemaia.blogspot.com.br/2014/10/o-parto-de-maia.html

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